Frequentemente, a formação de gases nos bebês ocorre devido aos alimentos que ingerem ou à má digestão. Este é um processo bastante comum nos primeiros meses de vida dos bebês, pois seus sistemas digestivos ainda não estão totalmente desenvolvidos e eles têm dificuldade em lidar tanto com o leite quanto com o ar que engolem.

Muitos novos pais ficam assustados ao ver que seus bebês estão chorando e apresentando sinais de desconforto. Eles não sabem como aliviar o choro e a dor de seus bebês e muitas vezes não percebem que isso está diretamente relacionado à forma de alimentação e sucção.

Geralmente, após amamentar o bebê, colocamos ele em uma posição para arrotar. No entanto, às vezes, mesmo nas posições mais estranhas, o bebê não arrota e, após um tempo, começa a sentir dor abdominal, se encolhe, se tensiona e parece inquieto, sua barriga fica mais dura ou inchada.

Muitos médicos recomendam medicamentos específicos e toleráveis para bebês para esse problema. No entanto, se você não quiser dar medicamentos ao seu bebê, pode oferecer chá de camomila; isso pode ajudá-lo a passar por esse momento difícil.

A camomila é muito benéfica para a digestão e ajuda a expulsar os gases que causam desconforto nos bebês. Além disso, mudanças simples, como técnica de alimentação, posições e massagens, também podem ajudar os pequenos a expelirem o ar que engolem.

Antes de administrar essa infusão, consulte um pediatra para garantir que o chá não tenha efeitos alérgicos. Caso contrário, pesquise outros produtos naturais antes de recorrer a medicamentos. E lembre-se, além dos medicamentos, é muito importante entender por que os gases se formam e saber o que você pode fazer em casa para preveni-los e aliviá-los.

Causas da Formação de Gases em Bebês

Os gases em bebês podem ter várias causas. Conhecê-las ajuda os pais a agirem de forma mais calma e a tomarem decisões mais acertadas:

  • Ingestão de ar durante a alimentação: Se o bebê estiver tendo dificuldade para mamar, se a posição não estiver adequada ou se o fluxo de leite estiver muito rápido, ele engolirá mais ar.
  • Sistema digestivo imaturo: Os intestinos dos bebês ainda estão em desenvolvimento, e como as enzimas digestivas não funcionam como as de um adulto, isso aumenta a formação de gases.
  • Composição do leite: Alguns bebês são sensíveis a certos componentes da dieta da mãe ou do leite em fórmula.
  • Choro intenso ou estresse: Quando o bebê chora muito, ocorre a ingestão de mais ar (aerofagia).

Relação entre Alimentação e Gases em Bebês

Amamentação e Alimentos Possivelmente Desconfortáveis

Se você está amamentando um bebê que tem problemas com gases, alguns alimentos podem levantar mais suspeitas do que outros. Em algumas famílias, observa-se que os bebês ficam mais inquietos após o consumo de certos produtos. Alguns alimentos na dieta da mãe podem aumentar a formação de gases em alguns bebês, entre eles estão:

  • Vegetais que produzem gases (brócolis, couve-flor, repolho).
  • Leguminosas secas (grão-de-bico, lentilhas, feijões).
  • Produtos lácteos (para mães ou bebês sensíveis à proteína do leite de vaca).
  • Alimentos muito condimentados, café e bebidas com cafeína.

No entanto, pode ser difícil identificar exatamente qual alimento está causando o desconforto. Em vez de eliminar aleatoriamente alimentos, é importante manter uma dieta equilibrada. O mais sensato é observar se há uma relação clara entre um determinado alimento e o desconforto do bebê, discutir isso com o pediatra ou um consultor de amamentação e, se necessário, realizar testes de exclusão temporária.

Alimentação com Mamadeira e Fórmulas

Se o seu bebê está sendo alimentado com fórmula, ele também pode engolir muito ar durante a alimentação. Algumas causas comuns incluem:

  • Chupeta inadequada: Se o buraco for muito grande ou o fluxo muito rápido, o bebê pode mamar ansiosamente e engolir ar; se o buraco for muito pequeno, ele suga com força e também pode engolir ar.
  • Posicionamento incorreto da mamadeira: Se a chupeta não estiver sempre cheia de leite, o bebê alterna entre leite e ar a cada mamada.
  • Preparação da fórmula: Agitar a mamadeira com muita força cria muitas bolhas; misturar suavemente e deixar descansar por alguns minutos é melhor.

Em alguns casos, mudar para uma fórmula diferente pode melhorar os sintomas, especialmente se houver suspeita de intolerância à lactose ou alergia à proteína do leite de vaca. Essas mudanças devem ser feitas sempre sob supervisão de um pediatra; esse especialista avaliará se o uso de fórmulas especiais para gases, fórmulas parcialmente hidrolisadas ou fórmulas hipoalergênicas é apropriado.

Intolerâncias, Alergias e Outros Fatores que Aumentam a Formação de Gases

Além da forma de alimentação, alguns bebês apresentam problemas digestivos que facilitam a formação de gases e desconforto:

  • Intolerância à lactose: Resulta da baixa atividade da enzima lactase, necessária para digerir a lactose do leite. A lactose não digerida fermenta no intestino, produzindo gases, inchaço e, às vezes, diarreia.
  • Alergia à proteína do leite de vaca: Gera uma resposta imunológica e pode se manifestar com sintomas como gases, diarreia, vômito, sangue nas fezes, irritação na pele ou problemas respiratórios.
  • Imaturidade intestinal: Os intestinos dos bebês não conseguem digerir eficientemente alguns componentes do leite e dos primeiros alimentos sólidos, o que aumenta a fermentação e os gases.
  • Refluxo gastroesofágico: Alguns bebês apresentam refluxo, ou seja, o conteúdo do estômago sobe para o esôfago. Isso está relacionado a regurgitação, choro e gases.

Se, além dos gases, você observar sintomas como diarreia constante, vômitos frequentes, sangue nas fezes, recusa alimentar ou perda de peso, é importante consultar um pediatra o mais rápido possível para descartar problemas maiores.

Sintomas de Gases em Bebês e Como Reconhecê-los

Reconhecer gases em recém-nascidos nem sempre é fácil, pois os sintomas podem expressar muitas outras coisas e também podem ocorrer em bebês saudáveis. Os sintomas mais comuns são:

  • Inquietação e choro: O bebê chora com raiva sem motivo aparente, parece desconfortável, arqueia as costas ou se encolhe.
  • Barriga inchada e distensão: A barriga se sente mais dura, redonda e tensa ao toque.
  • Pernas puxadas para a barriga: O bebê puxa as pernas em direção à barriga como se estivesse tentando liberar os gases; às vezes, estica as pernas de forma abrupta.
  • Arrotos e liberação de gases: Arrotos, liberação de gases ou pequenas regurgitações de leite são comuns.
  • Perda de apetite: Em algumas mamadas, o apetite pode diminuir devido à sensação de plenitude ou desconforto abdominal.

Esses sintomas também podem ser indicativos de fome, sono, necessidade de troca de fralda ou outros desconfortos. Portanto, é importante observar o comportamento do bebê, seu desenvolvimento e sua relação com a alimentação, para que você possa distinguir o que está acontecendo ao longo do tempo.

Posições que Ajudam os Bebês a Liberar Gases

Uma das estratégias mais eficazes para aliviar os gases é usar posições que facilitam a liberação de ar para cima (arrotos) ou para baixo (liberação de gases). Algumas das mais recomendadas são:

  • Sobre o peito: Este é o método mais comum. Coloque o pequeno sobre seu peito, quase na vertical, de modo que a cabeça fique alinhada com seu ombro. Apoie bem a cabeça e o pescoço e aguarde que ele arrote, dando leves tapinhas ou esfregões suaves nas costas.
  • De bruços sobre os braços: Coloque o bebê de bruços sobre os seus braços, com a cabeça um pouco mais alta que o restante do corpo. O peso do bebê faz com que a barriga pressione o seu antebraço, o que facilita a expulsão de gases. Com a mão livre, você pode fazer toques suaves nas costas dele.
  • Sobre suas pernas: Sente-se e coloque o bebê de barriga para baixo sobre seus joelhos ou em uma posição levemente inclinada, apoiando a cabeça. Toques suaves nas costas e a pressão da barriga dele sobre seus joelhos ajudam na expulsão de gases.
  • Em posição sentada: Se a criança consegue ficar um pouco mais ereta, você pode sentá-la sobre seus joelhos, mantendo-a levemente inclinada para frente. Com uma mão segurando o queixo, você pode dar os clássicos tapinhas nas costas com a outra mão.
  • Movimentando as pernas como se estivesse pedalando: Movimente as pernas do bebê que está deitado de costas, como se estivesse pedalando, ou puxe suavemente em direção à barriga e depois estenda; isso movimenta os intestinos e facilita a expulsão de gases pelo reto.

Massagens, Calor Local e Outras Dicas para Aliviar Gases

Além das posições, existem outras técnicas muito úteis para ajudar os bebês a expelirem gases:

  • Massagem suave na barriga: Você pode estimular os movimentos intestinais e ajudar os gases a se moverem, pressionando suavemente a barriga do bebê com movimentos circulares no sentido horário.
  • Banho morno: A temperatura da água relaxa os músculos da barriga e pode reduzir a dor causada pelos gases. Isso é ideal antes da massagem ou antes da última alimentação do dia.
  • Aplicar calor local: Colocar uma compressa morna (nunca muito quente) na barriga do bebê relaxa os músculos e reduz a sensação de inchaço. Este é um método tradicional que muitos pais ainda utilizam.
  • Carregar: Transportar o bebê em um carregador ergonômico, bem próximo ao corpo do adulto e em posição vertical, aumenta tanto a expulsão de gases quanto a sensação de tranquilidade e segurança.

É importante que todas essas massagens e técnicas sejam feitas de forma suave, respeitosa e atenta às reações do bebê. Se o pequeno parecer muito desconfortável, é melhor parar e tentar novamente mais tarde ou consultar um pediatra ou fisioterapeuta pediátrico.

Técnicas Durante a Alimentação para Prevenir Gases

Além de aliviar os gases já formados, é muito útil tomar precauções preventivas durante a alimentação:

  • Arrotar o bebê com frequência: Não é sempre necessário esperar até o final da alimentação. Muitos bebês se beneficiam de uma pausa para arrotar após cada mamada ou após receber uma certa quantidade de leite da mamadeira.
  • Manter o bebê em uma posição mais ereta: Isso ajuda na subida e liberação do ar durante e após a alimentação.
  • Revisar a pega do peito: Uma pega profunda, com uma grande parte da aréola na boca, reduz a entrada de ar. Se tiver dúvidas, um consultor de amamentação pode ajudar.
  • Ajustar o fluxo da mamadeira: Um bico com fluxo lento ou médio, adequado à idade, permite que o bebê mama de forma calma.
  • Mamadeiras especiais: Alguns modelos anti-cólicas, ventilados, angulados ou dobráveis são projetados para reduzir a entrada de ar durante a alimentação.
  • Evitar a superalimentação: Alimentar o bebê com muita frequência ou em excesso pode fazer com que ele coma ansiosamente e engula mais ar.

Medicamentos e Tratamentos com Gotas para Gases

No mercado, existem muitas gotas para gases que contêm simeticona; isso atua como um agente antiespumante para quebrar bolhas de gás. Embora alguns pais relatem melhora, os estudos nem sempre mostram uma eficácia clara, especialmente se os sintomas estiverem relacionados a cólicas mais complexas.

De modo geral, essas gotas são consideradas bastante seguras, mas é sempre importante:

  • Leia a bula e aplique a dosagem recomendada de acordo com o peso e a idade do bebê.
  • Consultar o pediatra antes de administrar qualquer medicamento, mesmo os que não precisam de receita.
  • Avaliar se os sintomas são causados por outras razões (alergias, intolerâncias, refluxo intenso, etc.).

Diferenças Entre Gases e Cólica

Gases e cólicas são frequentemente confundidos, mas não são exatamente a mesma coisa. Algumas dicas para diferenciá-los incluem:

  • Gases: O bebê passa por momentos de desconforto, se encolhe e puxa as pernas, geralmente se acalma quando solta o gás, muda de posição, mama ou é segurado.
  • Cólica: Caracteriza-se por um choro muito intenso, difícil de acalmar, repetindo-se por longos períodos várias vezes por semana e geralmente ocorre na mesma hora do dia. O bebê puxa as pernas firmemente para a barriga e, apesar de arrotar várias vezes, não encontra consolo.

Em ambos os casos, o sistema digestivo imaturo, a composição da dieta, a quantidade de ar engolido, o estado da microbiota intestinal e até mesmo a sensibilidade individual do bebê podem influenciar. Em caso de dúvida, o pediatra é quem pode oferecer a melhor orientação.

A maioria dos bebês experimenta problemas de gases e outras desordens gastrointestinais nos primeiros meses de vida. Apesar de serem muito desconfortáveis, geralmente não são perigosos e tendem a melhorar à medida que o sistema digestivo amadurece e a família aprende a reconhecer os sinais do pequeno. Boas posições, massagens suaves, uma alimentação equilibrada e o apoio do pediatra podem tornar os gases uma dificuldade gerenciável e temporária na jornada de crescimento do bebê.