A província de Córdoba quebrou um recorde histórico de doação de placenta com um aumento de 40% em apenas um ano. Esse progresso, além de ser uma estatística impressionante, se traduziu em tratamentos concretos para centenas de pacientes com queimaduras graves e feridas complexas.
Uma fonte que outrora era vista como resíduo patogênico pós-parto, hoje se tornou uma importante fonte de saúde com grande potencial. Graças à doação de placenta e ao processamento da membrana amniótica, hospitais públicos e clínicas de referência podem oferecer alternativas de tratamento de baixo custo e avançadas que resultam em resultados muito positivos na cicatrização da pele e da superfície ocular.
Recorde Histórico de 40% a Mais em Doações e Banco de Tecidos
O Banco Multitejidos Ecodaic (BMTE), vinculado ao Ministério da Saúde, registrou um total de 269 doações de placenta em 2025. Isso representa um aumento de 40% em relação às 193 doações registradas em 2024, e é o maior número desde o início do programa em 2018.
Em termos de volume, o banco processou 146.472 cm² de tecido placentário em 2025, uma quantidade muito maior do que os 111.356 cm² obtidos no ano anterior. Esse aumento significa mais material para pacientes com queimaduras, úlceras vasculares e danos oculares graves.
Desde o início do procedimento, o BMTE ajudou 532 pessoas ao processar mais de 1.000 membranas amnióticas nos últimos sete anos. A maioria desses pacientes enfrentou feridas de difícil manejo e necessitou de soluções avançadas para evitar complicações maiores, efeitos permanentes significativos ou até mesmo perda de visão.
Dados oficiais mostram que apenas em 2025, 70 pacientes foram tratados com membrana amniótica; cerca de 80% deles enfrentou queimaduras extensas ou úlceras vasculares de longa duração. Os restantes apresentam principalmente doenças oftalmológicas, como lesões na córnea e na conjuntiva, resultantes de agentes químicos.
De Resíduo a Ferramenta de Tratamento Chave
No centro deste programa está a membrana amniótica; uma camada de tecido colágeno que envolve o saco que protege o feto durante a gravidez. Após o parto, quando processada em condições controladas, essa membrana se torna um verdadeiro "curativo biológico" para a pele e a superfície ocular.
Esse tecido oferece várias características valiosas na medicina: possui propriedades anti-inflamatórias, analgésicas e antimicrobianas. Além disso, promove a renovação celular e acelera a cicatrização; isso é especialmente importante em casos de danos graves à pele ou córnea, onde há risco de infecção, perda de tecido ou efeitos funcionais permanentes.
Inicialmente, o uso da membrana amniótica concentrou-se na área da oftalmologia, para tratar lesões graves da superfície ocular, como queimaduras químicas que danificam a córnea e a conjuntiva. Com o tempo, à medida que a experiência clínica aumentou, a maior parte da produção do banco foi direcionada para as áreas de dermatologia e cirurgia plástica; onde é utilizada para cobrir feridas complexas, úlceras crônicas e queimaduras extensas.
A mudança nesse cenário permitiu que pacientes com diabetes, úlceras vasculares ou grandes queimaduras se beneficiassem de um tratamento que alivia a dor, protege a área afetada e melhora as condições para uma renovação mais rápida e ordenada do tecido. Segundo especialistas envolvidos no programa, a aplicação da membrana amniótica trouxe uma mudança significativa em muitos casos que há alguns anos tinham um prognóstico mais incerto.
A responsável do BMTE, María Nieves Paverini, enfatiza que os benefícios desse tecido "não têm limites" e que a demanda internacional por membrana amniótica continua a crescer; isso se deve à sua alta eficácia clínica e ao seu custo relativamente baixo em comparação com outros tratamentos regenerativos disponíveis.
Impacto no Sistema de Saúde e Perspectiva da Espanha e da Europa
A experiência de Córdoba coincide com uma tendência observada em bancos de tecidos na Espanha e em outros países europeus; aqui, as aplicações clínicas da placenta e da membrana amniótica estão sendo cada vez mais exploradas. Embora uma determinada situação pertença à província da Argentina, as linhas de trabalho mostram semelhanças com aquelas promovidas nos sistemas públicos europeus: avaliar da melhor forma os tecidos obtidos no momento do parto e utilizar tecidos que antes eram quase totalmente descartados.
Em muitos hospitais europeus, bancos de tecidos e unidades de transplante estão promovendo voluntariamente a doação de placenta em cesarianas planejadas; sempre com consentimento informado e rigorosos protocolos de segurança. O objetivo é fornecer material suficiente para tratar queimaduras críticas, lesões corneanas e outras feridas crônicas que não respondem bem a tratamentos.
O exemplo de Córdoba demonstra que, quando há coordenação entre maternidades, bancos de tecidos e serviços de queimaduras, o impacto na prática clínica é muito rápido. Por exemplo, o Serviço de Queimaduras do Hospital de Córdoba registra entre 1.000 e 1.400 procedimentos cirúrgicos por ano, um dos números mais altos da Argentina. Além disso, aumentou tanto o número de pacientes tratados quanto o uso da membrana amniótica nos protocolos de tratamento.
Esses dados são especialmente importantes para os sistemas de saúde europeus; aqui, a pressão sobre pacientes queimados, pacientes crônicos e indivíduos idosos com feridas de difícil cicatrização está aumentando. A provisão de tratamentos regenerativos acessíveis e bem avaliados tornou-se uma prioridade para reduzir o tempo de internação, complicações e custos associados a cirurgias mais agressivas.
Paralelamente ao que ocorre em Córdoba, vários programas de pesquisa europeus também estão avaliando o potencial da membrana amniótica em novas indicações; sempre com o objetivo de aumentar a segurança, padronizar processos e garantir o uso desse recurso com critérios clínicos.
Como Doar a Placenta e o Papel da Cidadania
A contínua crescente doação de placenta em Córdoba é explicada não apenas pela melhoria técnica dos bancos de tecidos, mas também pelo compromisso de mulheres grávidas e profissionais de saúde. Neste estado, as doações são obtidas principalmente de cesarianas planejadas na Maternidade Provincial e na Clínica Universitária Reina Fabiola.
O procedimento é bastante simples: durante o acompanhamento da gravidez, as mulheres que desejam doar podem comunicar seu desejo de doação aos seus ginecologistas, esclarecendo dúvidas sobre o corte do cordão umbilical durante o parto. A partir desse ponto, a equipe médica coordena todos os passos necessários com a Ecodaic; isso é realizado sob condições de segurança e rastreabilidade, sem interferir no parto e nos cuidados da mãe e do recém-nascido.
As autoridades de saúde enfatizam que isso é uma ação totalmente voluntária, altruísta e anônima, realizada sem qualquer compensação econômica. A decisão baseia-se na ideia de que um tecido que seria descartado pode literalmente se transformar em uma segunda chance para pessoas que sofreram acidentes graves ou que enfrentam complicações médicas prolongadas.
Esse modelo de doação está alinhado com as estratégias promovidas na Europa sobre doação de órgãos, tecidos e células, onde é cada vez mais importante informar bem os cidadãos, construir confiança e mostrar os resultados obtidos de forma transparente. A experiência de Córdoba reforça que a participação social é fundamental para a sustentabilidade desses programas a longo prazo.
De acordo com declarações da Ecodaic, o aumento nas doações reflete uma comunidade solidária e uma equipe de saúde muito determinada a promover a doação. A diretora da instituição, Romina Quiroga, enfatiza que esse recorde não é apenas um número, mas uma prova de que um trabalho coordenado pode transformar um recurso subutilizado em uma ferramenta de tratamento de primeira linha.
Resultados em Pacientes e Aumento da Qualidade de Vida
Além dos números, especialistas ressaltam que o verdadeiro impacto da doação de placenta é visto na evolução dos pacientes. Cirurgiões plásticos, especialistas em queimaduras e oftalmologistas observam que a membrana amniótica proporciona uma melhora significativa em muitos casos complexos.
Por exemplo, na área de queimaduras, quando aplicado na área afetada, a dor, a inflamação e o risco de infecção diminuem significativamente. Isso significa menos dor para o paciente, melhor tolerância ao tratamento e, em muitos casos, uma redução na necessidade de curativos dolorosos ou intervenções adicionais.
Especialistas como a médica Analía Riutort, vinculada ao serviço de queimaduras, afirmam que a membrana amniótica oferece benefícios significativos tanto para pacientes internados quanto para aqueles em tratamento ambulatorial. Na prática, isso significa que não apenas os casos mais graves se beneficiam, mas também aqueles que estão se recuperando em casa sob supervisão especializada.
Na oftalmologia, recorrer a essa opção de "patch biológico" tem se mostrado uma alternativa valiosa contra lesões químicas e outros ataques graves à superfície ocular. A membrana protege a córnea, promove a reepitelização e melhora as condições para preservar a capacidade visual do paciente tanto quanto possível.
Os testemunhos coletados pelo sistema de saúde de Córdoba mostram que, após o tratamento com a membrana amniótica, um paciente teve uma recuperação muito positiva, indicando que esses números, de outra forma, permaneceriam apenas em um nível estatístico. Para essas pessoas, a combinação de uma fonte biológica bem avaliada e uma equipe de saúde treinada faz a diferença entre uma recuperação limitada e a possibilidade de continuar suas vidas diárias de forma mais normal.
Todo esse processo demonstra que foi criada uma estratégia de saúde que começa com a doação de um tecido previamente coletado, aumentando a qualidade do cuidado para pacientes com feridas complexas, otimizando recursos e fortalecendo a cooperação entre bancos de tecidos, hospitais e cidadãos; essa abordagem é especialmente importante na Espanha e em toda a Europa.
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